A vida em Comunidade

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A Comunidade é um dom, um presente, uma graça do Espírito Santo. O mesmo Espírito que pairava sobre as águas, nos meandros da Criação, se derrama na sua gratuidade e faz da vida comunitária uma nova perspectiva da vivência do amor e da fraternidade.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é destinado a viver a comunhão e o amor. Comunhão e amor que se manifestam como dom de si aos outros, livremente, sem amarras e sem medidas.

Este foi o projeto original gestado no coração do Pai. Mas o mau uso da liberdade fez com que a criatura sonhada por Deus ouvisse a outra voz e, conseqüentemente, se afastasse do Criador. Na sua misericórdia que transcende toda a inteligência humana, sua voz se faz ouvir como um eco que ultrapassa o tempo e o espaço e a promessa ressoa pelos séculos: “Porei inimizade entre ti e a mulher…” E desse proto-Evangelho inicia-se o projeto de Salvação.

Uma das grandes provas do amor de Deus por nós está em Jo 3,16: “Deus amou tanto o mundo que enviou o se Filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” Amados, escolhidos e eleitos por Deus, não poderíamos seguir ao revés, já que havíamos sido modelados pelas suas mãos, e tecidos no seio materno. Revestindo-se de nossa carne – humanizando-se para nos divinizar – o Pai nos ensina em seu Filho que o poder é servir. Serviço que se manifesta na humildade, na obediência, e o leva à morte de cruz e à Ressurreição, sementes de novas comunidades semeadas pelo Espírito Santo, através do seu sangue doado na Cruz.

As comunidades são chamadas a ser sinal da vida e comunhão, inaugurado por Cristo. Comunhão que gera a fraternidade e a partilha, onde todos são irmãos e convidados a viverem juntos, construindo-se mutuamente a partir da oração pessoal, comunitária, da Eucaristia e da vida sacramental. Fraternidade que se faz pela doação de si mesmo.

A Comunidade é uma escola de amor, onde o perdão, a renúncia, a compreensão, a aceitação de um pelo outro, o acolhimento, a fé e a esperança, são luzeiros que indicam um novo caminho a seguir, uma nova meta a alcançar: A SANTIDADE.

Santidade que emerge da alegria de viverem juntos na diversidade de uma unidade permeada de diálogo, de conhecimento, edificada sobre o alicerce da sinceridade e da autenticidade.

Outrossim, a Comunidade é o lugar por excelência de crescimento e amadurecimento humanos, tanto da própria identidade, quanto da afetividade e da convivência com “pessoas difíceis”. Isto nos leva a sentir a necessidade imediata de uma formação permanente, onde os Conselhos Evangélicos – pobreza, castidade e obediência – possam ser solidificados e vivenciados na solidariedade que norteia o Amor Ágape.

O Carisma é a marca registrada da Comunidade. É a sua identificação. É o seu jeito de ser dentro da Igreja. É o que a diversifica e a une à Cátedra de Pedro. E o sinal da fraternidade é a união que tem a força de abrir os corações à Fé.

A Comunidade é essencialmente missionária. Sem a missionariedade ela se descaracteriza, introspecta-se, sucumbe e morre. Será grande a sua ruína!”

Paz e Luz

Antonio Luiz Macêdo

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