As maravilhas que Deus criou

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As maravilhas que Deus criou - Missão e misericórdia

Missão e misericórdia andam juntas.

Outubro é mês missionário. 2016 é ano da misericórdia, conforme foi instituído pelo Papa Francisco. Este é o apelo mais recente do Papa, inclusive a resposta, segundo nos conscientiza, que o mundo mais espera de nós, cristãos: Que a Igreja seja “Missionária e Misericordiosa”. Evangelizar toda criatura é preciso, anunciando Jesus Cristo a toda gente, Ele que é o rosto misericordioso do Pai. Curar os feridos, levantar os caídos, socorrer os pobres, perdoar os pecadores é preciso, hoje, mais do que nunca.

Missão e misericórdia andam juntas. Evangelizar a partir de Jesus Cristo é reagir diante dos outros como Jesus reagia, transformando a vida de quem recebia a sua mensagem. Não há verdadeira evangelização sem a misericórdia, porque a verdadeira missão é uma obra de compaixão para com os pobres, os excluídos e os feridos do mundo, é uma ação libertadora e salvadora das escravidões, dos pecados, das guerras e divisões. Assim como o fez Jesus Cristo, quando andou por este nosso mundo, fazendo o bem.

O Papa Francisco nos vem dizendo também que hoje mais do que nunca é preciso cuidar da criação, e inclusive, que neste quesito a nossa primeira oração seja de pedido de perdão a Deus por causa dos pecados cometidos de há muito tempo e de forma violenta contra a vida do nosso planeta. Em seguida, que devemos render graças a Deus pelas maravilhas que Ele criou, este mundo extraordinário em que habitamos, e que tomemos consciência de que somos os seus cuidadores e protetores.

O Papa pede-nos ainda que busquemos junto a Deus a graça da conversão ecológica de tal maneira que nos esforcemos para mudar o nosso modo de relacionar com as coisas criadas, adotando novos comportamentos e novas práticas de cuidado com a criação e a mãe terra, nossa casa comum.

Em 2015, quando o Papa Francisco lançou a Encíclica “Laudato Si” (Louvado Sejas), instituiu o Dia Mundial de Oração e Cuidado da Criação, explicando que tomava essa iniciativa “Para oferecer a cada fiel e às comunidades a preciosa oportunidade de renovar a adesão pessoal à sua vocação de guardiões da criação…”. Falava que “Como salienta a ecologia integral, os seres humanos estão profundamente ligados entre si e à criação na sua totalidade.

Quando maltratamos a natureza, maltratamos também os seres humanos. Ao mesmo tempo, cada criatura tem o seu próprio valor intrínseco que deve ser respeitado. Escutemos ‘tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres’ e procuremos atentamente ver como se pode garantir uma resposta adequada”, destaca o Pontífice.

Da sua parte como resposta concreta, o Papa tomou a iniciativa de propor a inclusão ao elenco das conhecidas obras de misericórdia uma oitava às sete obras materiais e às sete espirituais, a saber: O cuidado da casa comum.

Jesus misericordioso, aumente-nos a fé para sermos fiéis discípulos e missionários da misericórdia do Pai

Ontem, celebramos Santa Teresinha do Menino Jesus que passou sua vida no Carmelo rezando pelos missionários. Santa Terezinha com São Francisco Xavier, o grande missionário do Oriente, são os dois padroeiros das Missões. Depois de amanhã, 4 de outubro, celebraremos São Francisco de Assis, o santo missionário do amor misericordioso do Altíssimo e Bom Senhor, o irmão da fraternidade universal de todos os homens e de todas as coisas criadas, o patrono da ecologia e o santo da paz e do bem. Sigamos o exemplo desses santos e supliquemos a sua intercessão por nós e pela Igreja.

A mensagem evangélica da Missa de hoje – Lc 17,5-10 – fala-nos da necessidade de suplicarmos ao Senhor que aumente a nossa fé para que ela nos impulsione a servir à comunidade e a trabalhar em benefício da obra missionária, do amor misericordioso a toda gente e do cuidado com a criação.

Os apóstolos pediram a Jesus: “Aumenta a nossa fé!”. Quem tem fé, ainda que do tamanho de um grão de mostarda, responde Jesus, transportará com uma simples palavra de ordem este pé de amoreira daqui para o mar. Quem tem fé do tamanho desse grão é como o empregado que trabalha o dia todo na roça e ao voltar para casa prepara o jantar e, primeiro, dá de comer ao patrão para só depois poder comer e beber. Nem por isso espera um agradecimento do patrão, ao contrário, quando fez tudo o que lhe foi mandado, diz: “Sou servo inútil; fiz o que devia ter feito”.

Jesus misericordioso, aumente-nos a fé para sermos fiéis discípulos e missionários da misericórdia do Pai, desenvolva em nós o senso de responsabilidade pelo cuidado da nossa “casa comum” e conceda-nos a audácia de amar e servir fazendo o bem sem a pretensão de nos apresentar diante de Deus e dos homens senão como “servos inúteis”.

Dom Caetano Ferrari
Bispo de Bauru (SP)