Buscai o reino e a sua justiça

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Catequese e formação Buscai o reino e a sua justiça
Livro para catequese

Queiramos ou não, este mundo é um lugar difícil. Para muitas pessoas, viver é, antes de tudo sobreviver. Encontrar o alimento de cada dia não é um problema menor para muitos. Encontrar o pão para a mesa da família é, às vezes, um grave e urgente problema que ocupa todo o tempo, a atenção e a energia da maioria de seus membros. Como sempre foi, ao longo da história, hoje são muitos os que deixam seus países e suas famílias para encontrar um trabalho que lhes proporcione o pão que, no lugar de origem, não encontram. Os que ficam não estão melhores do que aqueles que partem. Em muitos casos, dependem da volta regular do familiar – pai, mãe, irmão, filho – que partiu para um lugar distante e que precisa lidar com outra língua e cultura para poder atender às necessidades básicas daqueles que deixou para trás.

Ler nessas circunstâncias o Evangelho do oitavo domingo do Tempo Comum(cf. Mt 6,24-34) pode ser, no mínimo, irônico e, até mesmo, cruel. Podemos dizer aos pobres, àqueles que nada têm, que confiem na Providência de Deus? Olharão para nós com expressões incrédulas e dirão que esse tipo de espiritualidade é para os que têm tudo, para aqueles que tiveram o privilégio de nascerem em países com supermercados abarrotados de comida e com bastante dinheiro para comprar aquilo que desejarem. Nós somos aqueles que podemos renunciar a isto ou àquilo. E dizemos em um momento de oração, que precisamos confiar mais na Providência de Deus; que não devemos ficar obcecados com o dinheiro nem com o trabalho e devemos confiar que o Pai de todos nós dará o que nos faz falta.

O curioso é que, na prática, são muitas vezes os pobres que não ficam nervosos, nem chocados; que gozam e aproveitam do que têm com uma simplicidade e uma alegria vital que gostaríamos de possuir – nós que temos tantas coisas. Porque a verdade é que nós, que temos muito, às vezes, nem sequer aproveitamos o que temos, pois estamos muito preocupados em ter mais ainda. E apenas na proximidade com os pobres podemos experimentar – de longe – o que significa confiar em Deus para além das nossas possibilidades. E descobrir, com uma sabedoria superior, que aquilo que para uns parece sorte e casualidade não é nada mais que a presença de Deus cuidando da vida.

Para nós, para todos, deve permanecer uma ideia fixa: centralizemo-nos na busca do Reino de Deus e da sua justiça – feita de fraternidade e solidariedade – e tudo o mais nos será dado por acréscimo.