Curso 01 Aula 01 – A ira de Deus contra pagãos e judeus

657
Escola da fé, estudo para catequistas e leigos

1- CARTA AOS ROMANOS: A IRA DE DEUS CONTRA PAGÃOS E JUDEUS (1, 18 a 3, 20)

Porque Paulo escreveu aos Romanos: Paulo sentiu necessidade de escrever aos Romanos principalmente porque não foi ele quem fundou essa comunidade. Até hoje não se sabe quem foi o responsável por ela. No entanto, esta carta aos Romanos é a mais longa de todas as cartas paulinas. Por isso mesmo, talvez Paulo tenha considerado que deveria fazer um contato mais extenso com essa comunidade.

Sabemos que no início da evangelização, somente os Apóstolos de Jesus Cristo tinham a responsabilidade de fundar comunidades, dentro ou fora de Israel. Como nenhum deles havia viajado para Roma até aquela data, é provável que a fundação da comunidade romana se deva a leigos convertidos do judaísmo. Sabemos também que mais de um terço dos homens da comunidade romana era composto de escravos libertados.

A ira de Deus contra os pagãos: Paulo inicia seus ensinamentos dizendo que comparecerão diante do julgamento de Deus os pagãos (são chamados “homens” ou “gregos”) merecedores de Sua ira. São os pagãos acusados de não se relacionarem com Deus e de não se relacionarem com os homens (impiedade e injustiça).

Paulo afirma que os pagãos poderiam ter chegado a conhecer Deus de alguma forma, mas não se preocuparam com isso, preferindo o modo de vida do Império Romano idólatra. Deus poderia ser conhecido pelos pagãos pela observação das coisas criadas, que leva ao conhecimento de que há um Criador (Paulo chama essa observação de “ler o livro da Criação”).

Deste trecho aprendemos duas coisas fundamentais: que a impiedade leva à idolatria e também que Deus se dá a conhecer a todos, de formas diferentes. Paulo explica ainda que a impiedade e, por conseqüência a idolatria, levam à degeneração dos costumes e dos valores morais e espirituais. Ataca com veemência a homossexualidade masculina e feminina que era muito comum em Roma e vista, inclusive, como algo normal e que devia ser apreciada.  Paulo afirma ainda que a falta do verdadeiro Deus leva às injustiças, perversidade, malícia, inveja, brigas, fraudes, deslealdades, homicídios e outras perversões. É uma lista bem extensa de malefícios que o homem abraça quando falta Deus.

É provável que o Evangelho, a essa altura, já tivesse sido pregado ao povo romano em geral, pois Paulo afirma que os pagãos rejeitaram o Plano de Deus, dizendo o seguinte: “Apesar de conhecerem o julgamento de Deus, que considera digno de morte quem pratica tais coisas, eles não só as cometem, mas também aprovam quem se comporta assim”.

Vemos pois que para Paulo não existe alternativa: quem não escolhe Deus cai na injustiça e na morte do corpo e da alma.

A ira de Deus contra os judeus: os judeus convertidos ao cristianismo, com toda a certeza, aplaudiriam aquilo que Paulo ensinou a respeito dos pagãos. Entretanto, o Apóstolo reservou para eles uma triste surpresa: eles são tão culpados – ou mais – do que os pagãos. Por isso Paulo diz que os judeus cristãos são também convocados perante o tribunal de Deus. A acusação central de Paulo está centrada na seguinte frase: “Homem, você julga os outros? Seja quem for, você não tem desculpa. Pois, se julga os outros e faz a mesma coisa que eles fazem, você está condenando a si mesmo”. Paulo ensina então que Deus não faz distinção de pessoas e julgará a todos com o mesmo critério.

Continuando, Paulo toca agora em dois privilégios que eram comuns a todos os judeus, convertidos ou não: a Lei e a circuncisão. (a Lei era constituída pelos escritos do Velho Testamento, que só Israel possuía, e a circuncisão era considerada um sinal que a pessoa circuncidada era filha de Deus e estava acima dos não circuncidados). Eis o que Paulo afirma: “os que pecaram sem a Lei, sem a Lei morrerão. Todos os que pecaram tendo a Lei, sob a Lei serão julgados, pois só é justo diante de Deus aquele que pratica a Lei, não bastando apenas conhecê-la. O pagão que não conhece a Lei, mas a pratica, mostra que ela está escrita em seu coração”.

Resumindo o que se viu até agora, a carta aponta para dois caminhos de se chegar a Deus: o caminho dos pagãos e o caminho dos judeus. Paulo é mais benevolente com os pagãos, pois sabe que os judeus, convertidos ou não, se julgam superiores aios demais. Até escreve com ironia: “Muito bem! Você ensina os outros e não ensina a si próprio! Diz que não se deve roubar, mas rouba! Proíbe o adultério e você mesmo o comete! Odeia os ídolos, mas rouba os objetos dos templos! Você se gloria da Lei, mas a transgride!”.

O segundo privilégio se chama “circuncisão”. Era um sinal de filiação divina, mas com o tempo passou de compromisso para privilégio. O circuncidado (judeu) olhava com desprezo para o não circuncidado (pagão), gerando discriminação e ódio. A carta de Paulo desmascara essa situação e afirma que há pagãos que são melhores que muitos judeus.