Curso 01 Aula 02 – A salvação vem pela fé

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Escola da fé, estudo para catequistas e leigos

2- CARTA AOS ROMANOS: A salvação vem pela fé (3, 21 a 4, 25)

Deus anistia a todos: depois de mostrar que o julgamento de Deus pesa tanto sobre os pagãos quanto sobre os judeus, Paulo procura demonstrar que Deus pode perdoar a todos, escrevendo: “e não há distinção: todos pecaram e estão privados da glória de Deus, mas se tornam justos através de sua Graça, mediante a libertação realizada por meio de Jesus Cristo”. É o tema central da carta: o perdão concedido a todos, judeus e pagãos, pois o ser humano não pode se salvar por si próprio. Então Deus envia seu Filho Jesus para que toda a humanidade se torne justa. Mas Deus pede que, em troca, a humanidade faça a sua adesão ao seu projeto.

Somente a fé nos torna justos: Paulo avisa, pois, que a humanidade não pode conquistar a salvação, mas que esta lhe é dada como um presente de Deus. Isso elimina um dos grandes “privilégios” que Israel imaginava possuir, ou seja, que por ter a Lei, somente os que a observavam podiam ser salvos. Essa era uma visão dos fariseus, que Jesus combateu e que Paulo também combate na carta.

De acordo com a visão dos fariseus, a prática da Lei era suficiente para justificar a pessoa, obrigando Deus a ser bom para ela, recompensando-a . Paulo demonstra justamente o contrário: ninguém é merecedor de coisa alguma diante de Deus. Isso leva a concluir que Deus anula os nossos erros e a nossa dívida, anistiando toda a humanidade. E Paulo acrescenta: “Pois esta é a nossa tese: o homem se torna justo pela fé, independente da observância da Lei”.

Assim, Deus deixa de ser um Deus pertencente a uma única nação para se tornar o Deus verdadeiro, que não faz distinção entre seus filhos. A Lei e a circuncisão discriminam, a fé iguala a todos.

Abraão, pai dos que tem fé: Paulo era judeu, e sabia muito bem que Abraão era o tronco do qual brotou o povo judeu. Isso era outro “privilégio” dos judeus: ter Abraão por Pai. Paulo vai mostrar então que Abraão se tornou justo pela sua fé, muito antes de ser circuncidado e de conhecer a Lei. Diz Paulo: “Abraão teve fé em Deus e isso lhe foi creditado como justiça”.

Estudando a vida de Abraão, Paulo descobriu que a circuncisão de Abraão ocorreu somente depois que ele foi, por Deus, considerado justo por causa de sua fé. Qual seria, então, o mais importante? A fé ou a circuncisão? Paulo responde na carta: “Ele recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça que vem da fé, que ele já tinha antes de ser circuncidado”.

Visto sob este aspecto, Abraão se torna “pai de todos os não circuncidados que crêem em Deus. Abraão é também, claro, pai dos judeus circuncidados de vida limpa, mas não por eles serem judeus e circuncidados, mas por serem crentes de coração.

O que é ter fé: como Paulo bem sabia, as comunidades cristãs de Roma eram diferentes quanto à sua origem racial, cultura e condição social. Porém, há um elo de ligação entre todas as comunidades, e esse elo é “a fé em Jesus Cristo”.

Paulo foi um fariseu irrepreensível. Mas, depois que fez a experiência com Jesus, na estrada de Damasco, sua vida e sua visão da religião mudaram radicalmente. Como fariseu, julgava que apenas a prática da Lei tornava as pessoas justas. Como cristão, ele viu que a justificação vem pela fé. E o que é essa fé? Segundo Paulo, é entregar sua vida a Deus.

Foi o que aconteceu a Abraão: Deus havia feito a ele o chamado acompanhado de uma promessa, ou seja, ter terra, descendência e dar início ao Povo de Deus. Abraão acreditou, embora pudesse parecer a qualquer um que eram promessas irrealizáveis, pois ele era velho e Sara, sua mulher, era estéril. E Paulo assinala: “Esperando contra toda esperança, Abraão acreditou e se tornou pai de muitas nações. Ele não fraquejou na fé, embora estivesse vendo o próprio corpo sem vigor – ele tinha quase cem anos – e o ventre de Sara já estivesse amortecido”.

Deus torna justo a Abraão por sua adesão incondicional, sem garantias nem certezas. Foi assim, diz Paulo, que Abraão se tornou pai de todos os que crêem em Deus e em Jesus Cristo.

O mesmo acontece conosco, diz a carta. Nós somos justificados quando acreditamos que Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos para nos livrar dos pecados e nos dar vida nova. Somos todos chamados a fazer como Abraão: dar a nossa adesão a Deus e a Jesus, sem exigir provas e sem buscar certezas ou garantias.