Erros e acertos na fé

1948
Catequese e formação - Erros e acertos na fé
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É preferível estar sinceramente errado a ser erroneamente sincero. Que significa esse enigma? Se o colocarmos no campo da ciência e lógica humanas, nada. Porém, se tal afirmativa se der no terreno da fé ou das suposições ou hipóteses que levantamos durante nossas existências, eis que esta ganha racionalidade. Um erro cometido por ignorância ou sem intenção premeditada é tolerável. Já um erro consciente, premeditado, isto não!

Esse pode ser o peso e a medida da justiça de Deus. O pecado – erro humano que ofende a Deus – só acontece quando temos plena consciência do mal que este proporciona não só à nossa vida, mas principalmente ao nosso próximo. “De fato, no Evangelho a justiça se revela única e exclusivamente através da fé, conforme diz a Escritura: “o justo vive pela fé” (Rom 1, 17)”. Paulo, que viveu seu erro com sinceridade de intenção, fez uma radical mudança de rumos ao aceitar outra verdade, tomar consciência dos próprios erros. Isso é conversão sincera, mudança de vida. Esse é o parâmetro de uma fé pura, genuína, capaz de reconhecer seus limites, suas fraquezas, mas igualmente sua força de transformação.

Errar é humano, diz a sabedoria do povo. Mas não aceitar mudanças é a pior das ignorâncias… Essa permanência e insistência humana em manter-se numa posição contrária à própria consciência é a mais cômica, a mais patética das atitudes da humanidade diante dos planos que Deus nos apresenta, ou seja: teimamos em nossos erros de soberba e arrogância, apesar da paciência divina. Agimos como crianças embirradas, revoltantes em suas cenas de teimosia, que se jogam ao chão, esperneiam, gritam, exigem, mas pouco fazem para merecer o que tanto anseiam. Quem não conhece essas cenas? Alguém as aprova? Pois é exatamente isso o que fazemos diante de Deus-Pai.

Por isso a fé merece respeito. Seja ela amadurecida no senso do equilíbrio, da coerência, do bom senso ou mesmo ainda amarrada num processo de descoberta ou crescimento, muitas vezes envolto na nuvem do fanatismo, mas que se abre aos mistérios e ao respeito do que de mais sagrado a humanidade possui, sua alma, seu espírito. Esse é o campo de Deus, de sua justiça e misericórdia. Nele trabalha sua paciência histórica. Dia mais, dia menos compreenderemos seus desígnios de amor. Eis porque devemos respeitar a fé do outro. Com seus erros e acertos, ainda é um caminho de fé, uma trilha que se segue com respeito e devoção estritamente pessoal, bem própria da busca que todos fazemos. Alguns avançam mais, outros nem tanto, mas todos, indistintamente, buscamos acertar nossos passos com os mistérios e as verdades que rondam nossas vidas, em especial os mistérios da própria fé.

Podemos errar com sinceridade? Onde está nossa verdade? Jesus nos convidou a aprofundar esse dilema a partir das nossas inseguranças. Sua grande pergunta sem resposta imediata foi exatamente essa: O que é a verdade? Quando nossa fé nos induz a acreditar sem questionar é porque nosso coração já se convenceu de ser esta nossa verdade. E ela se revela em Cristo (Eu sou a verdade) de uma forma tão sincera que não nos deixa espaços para dúvidas. Essa é a revelação que proporciona aquela sensação de segurança na fé, a partir da experiência do indivíduo. A fé cristalina, pura e reveladora é uma descoberta pessoal, um sopro divino que age aos pés dos nossos ouvidos: Eu sou o caminho…