O bom administrador

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Ajude-nos a Evangelizar

“Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas o será também nas grandes”. (Lc 16,10).

Alcança sucesso na vida quem sabe administrar. Tudo na vida deve ser bem administrado. As emoções, as vontades, os sentimentos, os bens, o equilíbrio na vida espiritual e material, a convivência familiar, as relações no trabalho, enfim, tudo na vida deve ser bem administrado. Uma empresa se não for bem administrada, é candidata a falência. Uma comunidade de fé se não for bem administrada perde seus fiéis. Uma família mal administrada, os vícios e a bagunça toma conta e destrói seus membros.

Os bens da comunidade de fé devem ser administrados em espírito de comunhão conforme as orientações da Diocese. O documento da CNBB 105, cita o que diz o Papa Francisco: “Os Conselhos Pastorais decorrem da eclesiologia de comunhão, fundamentada na Santíssima Trindade. São organismos de participação e corresponsabilidade. A ausência de Conselhos Pastorais é reflexo da centralização e do clericalismo. Criem-se Conselhos de Pastoral em todos os níveis: comunitário, paroquial, diocesano, regional e nacional. “O bom funcionamento dos conselhos é determinante. Acho que estamos muito atrasados nisso”. Os conselhos devem ser apoiados, acompanhados e respeitados, superando qualquer tentação de manipulação ou indevida submissão”. (Doc. CNBB 105, 141).

Para segurança e responsabilidade no cuidado do dinheiro e dos bens da comunidade, a Igreja solicita a participação de cristãos leigos e leigas para administrar profissionalmente e com habilidade. É um serviço que ajuda avançar no campo da evangelização.

Alcança sucesso na vida quem sabe administrar.

“Os Conselhos de Assuntos Econômicos são determinantes para todas as pessoas jurídicas da Igreja e têm a tarefa de colaborar na administração, manutenção e planejamento financeiro das comunidades, paróquias e dioceses. A concordância entre o Conselho Pastoral e o Conselho de Assuntos Econômicos, em todos os níveis, contribui para que não aconteça o mau uso do dinheiro e a prática da corrupção na Igreja, mas transparência na prestação de contas a quem a sustenta e ao Estado”. (n. 142).

Os bens da Igreja não pertencem ao padre e nem ao bispo. Estes tem a obrigação de zelar por aquilo que pertence à comunidade. Por isso, a sua estrutura deve ser sólida e profissional. A sua organicidade exige a participação de cristãos leigos e leigas, como profissionais da área, colaborando para cuidar o que pertence à comunidade. Importante que os fiéis conheçam a estrutura e funcionamento dessa organização. Assim, muitos comentários inúteis deixam de acontecer. A boa administração dos bens reflete a organização perfeita de tudo o que acontece na comunidade de fé.

“Nas assembleias e reuniões pastorais aprende-se a ser Igreja, a fortalecer a unidade no respeito pela diversidade. Elas precisam ser bem preparadas, com boa recepção, metodologia, oração e final, é bom que se faça uma avaliação. Todas as pessoas têm o direito de falar. Não haja, pois, monopólio nem centralização da palavra”. (n.143).

Com alegria podemos contar com pessoas que testemunham sua fé, doando seu tempo e conhecimento profissional para que a comunidade de fé possa avançar na evangelização. A solidariedade e gratuidade são riquezas da comunidade de fé. A riqueza da comunidade está na participação coletiva, fraterna e solidária dos batizados.

“Nessas ocasiões temos oportunidade de ser Igreja-comunidade, Igreja-família, Igreja-comunhão e participação. Ciúmes, fofocas, manipulações além de trazer divisões, agressões, brigas, causam grande mal-estar, desânimo, fracasso pastoral. Diz o Papa Francisco: “Me dói muito comprovar como em algumas comunidades cristãs, (…) se dá espaço a várias formas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingança, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo e até perseguições (…). Quem queremos evangelizar com estes comportamentos?”. (n.144).

No autêntico espirito de fidelidade, aprendemos como bons cristãos a seremos coerentes o que aprendemos na Igreja e testemunhamos na sociedade. Eis o caminho para reconstruir a sociedade desajustada.

Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a sermos bons administradores dos bens da Igreja, caminho para a construção de uma sociedade justa e fraterna.

Dom Severino Clasen
Bispo de Caçado