São Francisco de Assis e de todos nós

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São Francisco de Assis
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Em outubro (dia 4) comemoramos São Francisco de Assis, conhecido e amado em todo Brasil. São Francisco desperta simpatia universal em quem conhece sua história e sua proposta de vida evangélica. A primeira vez que estive em Assis, fui para acompanhar um empresário protestante que desejava conhecer o lugar. No mês passado, o papa Francisco realizou um encontro em Assis de líderes religiosos, buscando o diálogo e a união entre as diversas religiões. Não poderia escolher lugar melhor!

São Francisco era de família rica. Seu pai, comerciante, ao voltar da França, onde fora a negócios, resolveu colocar o nome de Francisco em seu filho recém-nascido. Até seus 20 anos, Francisco teve uma vida despreocupada de diversão. Seu pai queria que se tornasse nobre. Contudo, para isso, era necessário ir à guerra e voltar glorioso. Foi, perdeu a guerra. Feito prisioneiro, na prisão, leu e meditou os Evangelhos. Sua vida mudou radicalmente. Ele já não era o mesmo, de agora em diante queria seguir Jesus Cristo, passa a vê-lo nos irmãos, nos mais pobres e excluídos da sociedade de seu tempo. Torna-se um “pobre de Deus”.

Seguindo os ensinamentos de Jesus, apoiado na força de Deus unicamente, dedica-se a pregar o Evangelho como missionário, nas florescentes cidades medievais da Itália, cheias de conflitos. Sua mensagem: Paz e Bem!

Com a paz teremos todo o bem, sem a paz não há bem duradouro. Francisco achava que cada pessoa deveria fazer a experiência pessoal de estar em paz e, assim, tornar-se apto para anunciar e difundir a paz. Para isso é necessário segundo ele, que cada um se considere, mais que irmão, uma mãe para o outro. Porque a mãe sabe valorizar e preservar a vida, principalmente do mais fraco.

A proposta de Francisco é atual e urgente: vencer o mal fazendo o bem! “Senhor, onde houver ódio que eu leve o amor” ele ensina a rezar. Percebe a inutilidade, perda de tempo da violência. Percebe que o problema não está nos conflitos que são inevitáveis, mas na maneira de resolvê-los. A paz desejada por Francisco não é só em nível pessoal, mas social também.

Indo além, Francisco prega a paz com a natureza. Ele percebeu que a Terra é um organismo vivo, ‘santuário ecológico’, e que o homem é encarregado de cuidar e celebrar a vida, como dom de Deus. Tudo isto o papa Francisco recorda em sua encíclica Laudato si, que toma seu nome do cântico das criaturas composto por São Francisco.

Ao procurarem uma pessoa que fosse paradigma do milênio passado, foi escolhido São Francisco: o irmão universal. No entanto, ele e sua mensagem parecem caminhar na contramão do que atualmente a sociedade propõe como vida feliz: competir e consumir. Mas, na realidade, ele representa um ideal de felicidade sólido, duradouro. Hoje há muita satisfação, prazer, e quase nenhuma alegria. Em uma sociedade ‘líquida’ existem muitos deprimidos. Francisco propõe um caminho capaz de dar imensa alegria. É o santo da alegria, compreensão e paciência perfeita. Profundamente humano: o homem imagem de Deus!

Sobretudo hoje, quando existem conflitos entre nações que se declaram cristãs no Ocidente e o terrorismo no Oriente Médio, cujas nações na maioria se declaram islâmicas, Francisco tem algo a dizer. Ele viveu na época das cruzadas, não obstante foi em peregrinação a Jerusalém, dominada pelos islâmicos. Seu testemunho de paz e fraternidade comoveu o sultão, que lhe deixou ir onde quisesse. Deu aos franciscanos o trânsito livre em seus domínios. De fato, até hoje são eles que zelam pelos lugares santos cristãos lá existentes.

Francisco de Assis nos diz que a força de uma guerra vence, mas só por tempo limitado. Somente a força do amor e compaixão ‘com-vence’ para sempre, e é capaz de criar uma sociedade justa e fraterna, cujo fruto é a paz. Por isso Francisco de Assis será sempre atual.

São Francisco de Assis, de sempre e de todos.

Dom Pedro Carlos Cipollini