Semente que cai em terra boa

406

Certa vez, em um mosteiro, um noviço procurou o mestre e lhe disse: “Sr. Padre, estou preocupado. Minha memória é muito fraca. Eu não consigo guardar o que o senhor fala nas palestras e não guardo nem as leituras bíblicas que faço. Esqueço tudo. Esforço-me ao máximo para guardar, mas logo esqueço. Este é o meu grande problema”.

O mestre tinha em seu quarto dois cântaros vazios, que estavam no chão em um conto do quarto, bem empoeirados. Ele disse ao noviço: “Por favor, pegue um desses cântaros, vá ao riacho e lave-o. Depois de limpo, enxugue-o bem e traga aqui”.

O noviço foi e fez direitinho conforme determinado. Ao chegar, o mestre lhe disse: “Coloque o cântaro novamente ao lado do outro”. Ele o colocou. O mestre lhe perguntou: “Qual dos dois cântaros está mais limpo?” “É este que eu lavei”, respondeu o jovem. Então o padre explicou:

“No entanto, meu caro, nós não estamos vendo a água que o lavou. Também aquele que lê ou ouve alguma coisa boa, o importante é estar com o coração aberto, porque assim, mesmo que não se recorde das palavras, o ensinamento vai para o coração e se transforma em atos. O importante é que o seu coração esteja puro, tão limpo como este cântaro!”

A lição é clara, e vale para todos nós. A Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela cresce dentro de nós sem percebermos. Todas as mensagens boas que ouvimos são como o pão que comemos. Ele desaparece mas nos alimenta. São também como a semente que, quando semeada, desaparece na terra, mas dela surge a planta.

“Feliz aquela que acreditou” disse Santa Isabel a Maria Santíssima, “pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!” (Lc 1,45). Que a nossa Mãe do céu nos ajude a nos abrirmos à Palavra do seu Filho