54° Dia Mundial das Comunicações

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Dia das comunicações

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Neste domingo da Ascensão do Senhor, dia 24 de maio, celebramos o 54° dia mundial das comunicações. É o único dia que o Concílio Vaticano II criou e isso está explícito no decreto Inter Mirifica. Como é costume, por ser muito importante esse dia, o Santo Padre, o Papa Francisco escreveu uma mensagem aprofundando o tema desse dia. A mensagem do Papa Francisco, tem como tema: “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10,2) A vida faz-se história”. Ele dedica esta mensagem ao tema da narração, ou seja, “para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros

O Papa Francisco, dividiu a mensagem em cinco tópicos: 1- Tecer histórias; 2- Nem todas as histórias são boas; 3- A História das histórias; 4- Uma história que se renova e 5- Uma história que nos renova.

1 –  Tecer histórias

O Papa fala da relação do homem com a história. “O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos”.          O homem é um verdadeiro narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal (reporta-se a queda de Adão e Eva).

2 –  Nem todas as histórias são boas

Para falar deste tópico, O Papa Francisco lembra da queda dos nossos primeiros pais (Adão e Eva) e justamente ele recorda a tentação em que o homem e a mulher passaram na história do Gênesis. “Se comeres, tornar-te-ás como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentação da serpente introduz, na trama da história, um nó difícil de desfazer. “Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…”: sussurra ainda hoje a quem se utiliza do chamado storytelling para fins instrumentais”.          “Frequentemente, nos «teares» da comunicação, em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade”

3 – A História das histórias

O Papa aqui enfatiza a História Sagrada que está contida na Sagrada Escritura. “Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu”

4 – Uma história que se renova

A história de Cristo não é um património do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história.  Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou. “Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima, tornando-se um apêndice de Evangelho. Assim as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, Promessi sposi de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias, que têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem”

5 –  Uma história que nos renova

Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador”

Somos chamados a ser bons narradores e, também, propagar para o mundo histórias que nos constroem e cooperam para a formação integral do ser humano. O Papa Francisco, termina sua mensagem fazendo uma oração a Virgem Maria e é a Ela que queremos pedir sua intercessão justamente neste dia onde celebramos Maria com o título de Auxilium Cristianorum. “Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos”

Ontem e hoje somos provocados na missão de testemunhar o Evangelho no tempo presente através das histórias contadas. Em tempos de pandemia, com as celebrações transmitidas pelas mídias, a Igreja precisou reinventar a sua maneira de estar próximo das pessoas com os aconselhamentos, catequeses, evangelização e missas. Os fiéis estão ansiosos para voltar a participar presencialmente das celebrações dos sacramentos, particularmente de comungar o Corpo e o Sangue de Cristo. Quando nossas igrejas forem reabertas e nossas celebrações com a presença do povo retomarem, não poderemos esquecer os fiéis que, de sua Igreja de origem, permanecerão ligados a ela. Por isso, este dia é um momento propício para caminharmos de mãos dadas com o Magistério da Igreja, com reflexões teológicas e tecnológicas para valorizar ainda mais a nossa presença neste ambiente. É preciso que as pessoas que vivem a experiência da igreja doméstica continuem a sentir a presença da Igreja.

O Espírito Santo continua a escrever em nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando colocamos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos mudando de página. Com o olhar do Narrador, o único que tem o ponto de vista final, aproximamo-nos depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores juntamente conosco da história de hoje. Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Que Nossa Senhora que tudo guardou e meditou no seu coração as histórias de Deus nos ajude a tecer tudo o que acontece em nossa vida com a luz divina!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ