Feliz Natal

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Presépio de Natal

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O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. (Is 9, 1.5).

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal! Tempo de grande alegria e esperança para todos os homens, pois Deus veio nos visitar. As palavras do profeta Isaías nos ajudam a perceber um pouco a grandeza deste dia, que se mostra ao mesmo tempo numa simplicidade surpreendente. Deus vem a nós como menino, na fragilidade e no encanto que só uma criança pode ter. Deus se mostra acessível. Deus não somente se revela aos homens de forma que os homens possam compreender, mas se manifesta de forma que os homens possam deseja-lo.

Quando ouvimos falar de um povo que andava nas trevas e viu uma grande luz, não podemos deixar de nos lembrar de nosso tempo e de nossas circunstâncias pessoais, marcadas pela violência, pelo desemprego, pela dor da doença ou da perda de algum ente querido. Para todos nós que algumas vezes experimentamos as trevas, veio a Luz.

A comemoração do Natal nos faz recuperar o sentido das nossas vidas! Mesmo diante de notícias tristes e violentas, o clima natalino nos convida a olhar para o bem e fazer o bem. Somos filhos da luz e para nós veio a Luz.  Isso, por que, na base de todas essas manifestações, somos contagiados pelo grande presente que recebemos: o Verbo de Deus se fez carne e nasceu de Maria Virgem, em Belém de Judá. Mas o essencial é que Ele está vivo e presente entre nós. Mais que recordar um fato do passado, o Natal atualiza a Sua presença na história e em nossas vidas. E a própria solenidade do nascimento de Jesus nos contagia, apesar de tantas e tantas crises, sendo capaz de encher o mundo de alegria, que desejamos que seja verdadeira e duradoura.

Esse menino que nasceu, o filho que nos foi dado, é um presente de Deus, porque significa a presença de Deus entre os seus. O texto atribui quatro qualidades que estão relacionadas aos maiores homens que forjaram a história de Israel: a sabedoria de Salomão (cfr 1 R 3) Conselheiro admirável, a coragem de Davi (cfr 1 S 7) Deus forte, os dons de Moisés ao governo (cf. Dt 34,10-12) Pai dos tempos futuros e as virtudes dos antigos patriarcas, que realizavam alianças de paz (cf. Gn 21,22). 24) (“Príncipe da Paz”). Comentando essa passagem, assim dizia o Papa Francisco: “Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum fato emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz” (Papa Francisco, Homilia da Noite de Natal, ano 2013).

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós.

Aqui se coloca também o mistério da liberdade humana. A salvação está no meio de nós, já foi conquistada por Jesus Cristo, porém é necessário que cada um procure acolher a Boa Notícia que Ele é para todos nós e, assim, viver como novas criaturas. Devemos nos perguntar, eu e você, como temos aceitado Jesus em nossas vidas para que o Seu Reino venha?

O Senhor está no meio de nós, mas quer estar em nossas vidas. Acolhamo-Lo na Palavra, Eucaristia, na pessoa dos irmãos e irmãs e nos sinais que Ele nos deixou. Abramos o nosso coração para acolhê-Lo; tornando-nos seus discípulos e acolhendo-O, transmitiremos aos outros, como missionários, a Boa Notícia do amor de Deus que tudo transforma.

Estejamos atentos: Aquele que vem como luz no meio da noite, vem pobre, humilde, pequeno, frágil e somente poderá ser reconhecido se estivermos atentos: atentos aos Seus sinais, atentos às pequenas coisas, atentos aos irmãos mais frágeis, atentos ao que no mundo é tido como sem valor, sem importância, sem poder.

A luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo de todos os séculos, envolveu homens e mulheres, cercou-os de luz. Onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade – a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes, a graça do perdão. A partir de Belém, um rasto de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Se olharmos os Santos – desde Paulo e Agostinho até São Francisco e São Domingos, desde Francisco Xavier e Teresa de Ávila até à Irmã Teresa de Calcutá – vemos esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino. Contra a violência deste mundo, Deus opõe, naquele Menino, a sua bondade e chama-nos a seguir o Menino, assim comenta o Papa Emérito Bento XVI, na noite de Natal do ano de 2005.

Cada um poderá descobrir como Cristo pode nascer em nós no tempo de Natal, em nossa vida. Não nos esqueçamos de que neste Natal o mais importante é que consigamos ir até Belém, participar daquela cena entranhável e dar um presente ao Menino Jesus: vejamos o rosto de Deus em cada rosto humano, e presenteemos as pessoas com o nosso sorriso, a nossa generosidade e o nosso espírito de partilha. Não nos esqueçamos de dar aos nossos parentes, amigos e colegas de trabalho o presente que ninguém pode tirar de nós: caminhemos ao presépio, contemplemos o Cristo nascido para nos salvar, e ofereçamos aos nossos queridos irmãos as orações fervorosas, pedindo as graças necessárias para no Natal comemorar a presença de Deus em nossa história, Jesus Cristo, o rosto visível do Deus invisível. Dessa forma iremos ver que é possível vencermos o ódio, a maldade humana, a violência e vivermos na harmonia, na concórdia e na constância da paz divina.

Feliz Natal! Natal Feliz é Natal com Cristo. Vamos anunciar a proximidade de Deus encarnado em uma criança a todo o mundo, testemunhando que Jesus está no meio de nós! E, assim, cantando para o Céu, vivamos na Terra a alegria do júbilo natalino: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro