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Apresentação do Senhor.

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Neste domingo dia 02 de fevereiro, celebramos a Festa da Apresentação do Senhor. Esta festa nos mostra que, conforme a Lei, a consagração dos primogênitos era feita no ato da circuncisão, no oitavo dia do nascimento, quando se impunha o nome à criança. A purificação da mãe era feita trinta e dois dias depois da circuncisão junto com a apresentação no templo, ou seja, 40 dias após o nascimento.

No Templo de Jerusalém, por ocasião da purificação de Maria, o justo Simeão profetiza sobre o menino Jesus, que será sinal de contradição. A origem da devoção de Nossa Senhora das Candeias tem os seus começos na festa da apresentação de Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, que acontece quarenta dias após o nascimento. Segundo a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo ausentar-se do Templo até 40 dias após o parto.

Nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo sacerdote, a fim de apresentar o seu sacrifício (um cordeiro ou duas pombas) e, assim, purificar-se. José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever. Levando em consideração a apresentação de Jesus no Templo, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação. Como Simeão, em seu cântico, diz que Jesus é luz para as nações, nasce o culto de Nossa Senhora das Candeias, Candelária ou da Luz cujas festas são comemoradas com procissão em que os participantes carregam velas.

Esta festa, de certa forma, encerrava as festas natalinas e nos abria o caminho rumo à Páscoa. Simeão e Ana, adiantados na idade e mantendo viva a esperança, se unem para anunciar a notícia da vinda do Senhor, Luz para iluminar as nações e glória do seu povo fiel. A devoção popular dedicou esta festa a Maria e, em alguns lugares do Brasil é celebrada como festa de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz. De fato, com a entrada de Jesus no mundo, nova luz resplandeceu para nós e o mundo transformou-se em templo, habitação de Deus. Em Jesus brilhou para toda a humanidade o verdadeiro sentido da vida, de pertencer a Deus e de sermos filhos e filhas da luz.

E quem levou o Menino para o templo foi Maria. Ela é a porta de entrada de Jesus, nossa Luz ao mundo. Ela também estará de pé, junto à cruz, num gesto corajoso de oferenda do Filho, assumindo o transpassar da espada em seu coração. Por isso, somos convidados neste dia a entrar no templo, ou seja, irmos ao encontro do Senhor, com as velas de nossa fé bem acesas, reconhecendo-O como Cristo, “a luz que vem se revelar às nações” como fez, alegre e agradecido, o velho Simeão.

E, como Maria, fazer a oferenda de nossa vida, com Cristo, por Cristo e em Cristo ao Pai. Seguindo esta luz, vivamos como filhos e filhas da luz, levando a todas as pessoas a luz de Cristo. Cabe, pois, a nós acolher o Senhor na Liturgia e na vida, com nossas atitudes e ações, como lâmpadas vivas e ardentes, sendo fiéis ao que cantamos. “Sim, eu quero que a luz de Deus que um dia em mim brilhou, jamais se esconda e não se apague em mim o seu fulgor. Sim, eu quero que o meu amor ajude o meu irmão a caminhar guiado por tua mão, em tua lei, em tua luz, Senhor!”.

Jesus traz a salvação a todos os homens; no entanto, para alguns será sinal de contradição, porque se obstinam em rejeitá-Lo. O Evangelista São Lucas (cf. Lc 2,22-40) narra também que Simeão, depois de se referir ao Menino, se dirigiu inesperadamente a Maria, vinculando de certo modo a profecia relativa ao Filho com outra que se relacionava com a mãe: “uma espada atravessará a tua alma”(cf. Lc 2,35). Com estas palavras do ancião, o nosso olhar desloca-se do Filho para a Mãe, de Jesus para Maria. É admirável o mistério deste vínculo pelo qual Ela se uniu a Cristo, àquele Cristo que é sinal de contradição.

A liturgia desta festa quer manifestar, com efeito, que a vida do cristão é como uma oferenda ao Senhor, traduzida na procissão dos círios acesos que se consomem pouco a pouco, enquanto iluminam. Cristo é profetizado como a Luz que tira da escuridão o mundo sumido em trevas. Seus pais maravilharam-se do que se dizia d’Ele. Maria, que guardava no seu coração a mensagem do Anjo e dos pastores, escuta novamente admirada a profecia de Simeão sobre a missão universal do seu Filho: a criança que sustenta nos seus braços é a Luiz enviada por Deus Pai para iluminar todas as nações: é a glória do seu povo.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ