Hospitalidade e acolhimento

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Hospitalidade e acolhimento

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As leituras deste domingo convidam-nos a refletir o tema da hospitalidade e do acolhimento. Para mim, no exercício do meu ministério presbiteral e episcopal, sempre pautei a minha ação pastoral pela hospitalidade e pelo acolhimento de todas as pessoas que batiam em minha porta, particularmente, dos mais pobres e humildes. Acolher o outro e dar-lhe a atenção necessária é da essência do Evangelho.  Sugerem, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas; e que a ação (ainda que em favor dos irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa ação e da nossa missão.

A primeira leitura(Cf. Gn 18,1-10a) propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, que partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode deixar de recompensar quem assim procede.

No Evangelho(Cf. Lc 10,38-42), apresenta-se um outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que, para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto embarcar num activismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz e acolher a sua Palavra. “Marta, Marta…uma só coisas é necessária”(Cf. Lc 10, 41-42). Vivemos num mundo globalizado, onde o número de coisas – necessárias e desnecessárias – é imenso. Mas as leituras de hoje insistem que “quer comamos, quer bebamos, quer façamos qualquer outra coisa”(Cf. 1Cor 10,31), devemos colocar Jesus no centro. Deus se manifesta no hóspede, no irmão e na irmã. O próximo que aparece em minha vida sem avisar – um pobre que bate à nossa porta em dificuldades, um patrão exigente – muitas vezes tem uma lição a nos ensinar – a de que devemos estar sempre prontos a dar-lhes o único necessário, que é aquele amor oblativo, que se entrega sem esperar nada em troca. Foi dando-se assim que sara veio a conceber(Cf. Gn 18,10), que Maria concebeu Jesus e que nós podemos vir a ter nossas vidas transformadas também.

A segunda leitura(Cf. Cl 1,24-28) apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o que é necessário é “acolher Cristo” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG