Imaculada Conceição

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nossa senhora Imaculada Conceição

Na Solenidade da Imaculada Conceição somos convidados a equacionar o tipo de resposta que damos aos desafios de Deus. Ao propor-nos o exemplo de Maria de Nazaré, a liturgia convida-nos a acolher, com um coração aberto e disponível, os planos de Deus para nós e para o mundo. Na celebração do tempo do Advento, a Igreja contempla o Mistério de Cristo, o Santo e Imaculado, presente na vida de Maria, Serva do Senhor, como sinal daquilo que Deus realiza e sempre realizará na vida da humanidade, que caminha rumo à Jerusalém Celeste.

A Imaculada Conceição encaixa-se perfeitamente com a vivência do Tempo do Advento. A Imaculada Conceição de Maria está orientada para a encarnação do Verbo de Deus, em vista da nossa redenção. Hoje,  louvamos o Senhor pelas maravilhas que realizou em sua humilde serva. A saudação do Anjo Gabriel: “Alegra-te, cheia de graça”, está em concordância com o Hino da Carta aos Efésios: “Bendito seja Deus(…). Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito(…) Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor”(cf. Ef 1,3-4).

Tem a Virgem o primeiro lugar na bênção e na escolha de Deus, pois é a única criatura santa e imaculada no sentido pleno e profundo. Este privilégio da Virgem Maria é também uma antecipação da inocência a que Deus chama cada membro da Igreja. Sendo ela a única criatura isenta da mancha do pecado original, a Igreja entrevê nela o seu próprio futuro, a nossa comum vocação à santidade, já plenificada, consumada em Maria. Nela, a graça e a bênção de Deus produziram o mais belo e perfeito fruto: Jesus. Tal devia ser, não só por ter sido abençoada e escolhida em Cristo, em previsão dos méritos dele, mas também em função de Cristo, para que fosse sua Mãe.

A segunda leitura(cf. Ef 1,3-6.11-12) garante-nos que Deus tem um projeto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher, um projeto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios.

A primeira leitura(cf. Gn 3,9-15.20) mostra, recorrendo à história mítica de Adão e Eva, o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência. Viver à margem de Deus leva, inevitavelmente, a trilhar caminhos de sofrimento, de destruição, de infelicidade e de morte.

O Evangelho(cf. Lc 1,26-38) apresenta a resposta de Maria ao plano de Deus. Ao contrário de Adão e Eva, Maria rejeitou o orgulho, o egoísmo e a autossuficiência e preferiu conformar a sua vida, de forma total e radical, com os planos de Deus. Do seu “sim” total, resultou salvação e vida plena para ela e para o mundo. Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Palavras muito simples mais que atraem responsabilidade. Pois doravante aquela pobre menina vai ser depositária dos desígnios de Deus.

 Deus entra no tempo por meio do sim de Maria que se coloca como escreva ao serviço do seu Senhor 24 horas por dia. A anunciação do anjo mostra a dinâmica da fé e de Maria: sendo virgem, descobre-se grávida; perturba-se e tem medo; descobre a mão de Deus ao Espírito Santo; toma consciência que o que cresce em seus seios é o Divino; não duvida desta iluminação interior; apenas pergunta como se fará isso. Aceita realidades que não se vêem. Ela creu, pois para Deus nada é impossível. A fé consiste exatamente nisso: na antecipação das coisas que se esperam, na prova das realidades que não se vêem. (Hb 11,1). Com Maria digamos sim, à voz de Deus, e Jesus continuará nascendo em mim e em ti todos os dias.

Maria, a Imaculada Conceição, é um exemplo de humildade e obediência ao Pai. Devemos aprender com Maria a darmos sempre o sim a Deus acolhendo com humildade a Sua vontade sobre nós e nossas comunidades.

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG