Jejum da maldade corporativa

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Muitas vezes, nas nossa revisões damos muita atenção  aos erros ou falhas dos outros e nem sempre nos voltamos para nós mesmos, nossa família, nossa convivência, com quem trabalhamos, e focalizemos o “EU”. É ditado popular que “roupa suja se lava em casa”. Experimentamos fazer isto em nossa empresa, na e da qual tenho uma parcela de responsabilidade e vamos assim viver mais intensamente, como cristãos, esse período quaresmal. Assim podemos afirmar que  no mundo corporativo   em que vivemos ou conhecemos também existem falhas ou pecados a serem corrigidos e podem existir monstros humanos onde imperam o ódio.

No mundo corporativo, encontramos alguns “monstros” da natureza humana, como o ódio, maldade e maledicência. Eu diria que encontramos aquelas pessoas que vivem para fazer a maldade. Para sobrevivermos a essas facetas da natureza humana, somente por meio do Jejum e da oração. Como deve ser realizado esse Jejum? Devemos deixar de comer? Não necessariamente, aqui podemos em primeiro lugar praticar o jejum da língua, ou seja, para que a maldade e a maledicência não cresçam e para eu não espalhar fofoca ou falar mal dos outros, eu me abstenho, fico quieto, na minha. Assim não estarei propagando o mal dentro da minha empresa e estarei praticando o jejum da língua.  

Com isso, eu e a minha empresa cresceremos juntos, pois não estaremos semeando o mal dentro dela. Não farei parte de roda de fofocas, denigrindo a imagem daquele ou daquela que trabalha comigo ou do meu superior hierárquico.

Muitas vezes quando chega um funcionário novo na empresa, no meu local de trabalho, achamos que ele veio para tomar o meu lugar, que irei ser mandado embora, mas pelo contrário, veio para somar a equipe e que juntos podemos crescer dentro da empresa. É claro que, por meio de nossas atitudes vamos permanecer ou não dentro da empresa.

Então, podemos sim praticar o jejum dentro de nosso ambiente de trabalho, logicamente não só neste tempo quaresmal, mas durante todo ano. Não é cristão de maneira alguma trazer ódio em nosso coração, é um sentimento muito feio, pesado, que nos fará bem. O mundo já está tão cheio de ódio que não devemos trazê-lo também para o nosso ambiente de trabalho. Esse Jejum devemos nos esforçar para fazê-lo sempre na nossa vida. Por mais que não gostamos ou não nos entendemos bem com alguém, não podemos deixar isso se tornar um ódio pela pessoa. Jesus, ao contrário, nos pede que amemos os nossos inimigos e rezemos por eles. Nesta primeira semana da Quaresma ouviremos na Liturgia: “Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem”(cf. Mt 5,43-44).

Por mais que estejamos passando por dificuldades na vida, seja em casa, com contas a pagar ou qualquer outro tipo de problema, devemos nos esforçar para não levar essas questões para o ambiente de trabalho. É no trabalho que passamos a maior parte do nosso tempo, e lá devemos transmitir, o amor, a paz e alegria, para que o “mal” não impere ali. 

O cristão deve trazer a alegria, o amor dentro de si e transmitir isso para as pessoas que estão ao seu redor, no ambiente de trabalho.

A melhor atitude que devemos tomar para ir na contramão desses três “monstros” do mundo corporativo é o amor, altruísmo, solidariedade, justiça, compromisso e responsabilidade. Não se trata de dar a outra face, mas mostrar uma imagem positiva da natureza humana. Se alguém nos vem com ódio, vamos com amor; se alguém faz injustiça conosco, vamos com a justiça. Se algum colega nosso não tem compromisso e responsabilidade nós vamos ter. Uma das virtudes cristãs é a paciência e isso não nos deve faltar no mundo corporativo. São atitudes que prevalecem apoiadas na conduta ética e moral, e se bem plantadas, acabam vencendo no final.

Diante de um ato de vingança ou injustiça que fazem conosco ou com alguém próximo a nós, não podemos pagar com a mesma moeda, por mais que nos doa, mas devemos respirar fundo, praticar o jejum de devolver na mesma moeda aquilo que fizeram e seguir o nosso trabalho. Todo ser humano não é igual ao outro, cada um tem uma maneira de agir, de trabalhar e de se comportar. E observando a maneira pela qual o outro se comporta, eu vou saber lidar com ele e não invadindo totalmente o seu espaço.

Se quisermos continuar no mundo corporativo, cheio de concorrências, competitivo e cheio de um querendo o lugar do outro e muitas vezes um ambiente de difícil relacionamento, devemos ter essas atitudes, sermos diferentes e vivendo o amor, a justiça e a caridade dentro do nosso ambiente de trabalho.

Portanto, que Deus nos abençoe o nosso local de trabalho e que com a ajuda do Divino Espírito Santo possamos praticar o jejum corporativo, nos distanciando daquilo que pode nos prejudicar em nosso crescimento empresarial.

+ Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG