Leigos na Igreja

267
Família: lugar da esperança

No quarto domingo de agosto celebramos o dia de oração pela vocação dos ministérios leigos e como coincide com o último domingo do mês, comemoramos também o dia nacional do catequista. É a nossa oração por todos os leigos que, entre família e afazeres, dedicam-se aos trabalhos pastorais e também missionários. Os leigos atuam como colaboradores dos padres na catequese, na liturgia, nos ministérios de música, nas obras de caridade e nas diversas pastorais existentes.

Ser leigo atuante é ter consciência do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja e do Reino contribuindo para a caminhada e o crescimento das comunidades rumo a Pátria Celeste. Assumir esta vocação é doar-se pelo Evangelho e estar junto a Cristo em sua missão de salvação e redenção.

Os Leigos são cristãos que têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo batismo, receberam essa vocação que devem vivê-la intensamente a serviço do Reino de Deus. Na Igreja existem as diversas vocações: a sacerdotal, a diaconal, a religiosa e a leiga. Todas são muito importantes e necessárias, pois brotam do Batismo, fonte de todas as vocações.

Dentro da comunidade eclesial “Os leigos encontram-se na linha mais avançada da vida da Igreja”, enfatizou o Papa Francisco. “Demos graças pelos leigos que arriscam, que não têm medo e que oferecem razões de esperança aos mais pobres, excluídos e marginalizados”, disse. Os leigos estão no coração do mundo e têm um papel chave para transformar a sociedade. Por isso os leigos são chamados a colaborar no governo paroquial e diocesano, participando de conselhos pastorais e econômicos.

Apesar desses serviços que desempenham na comunidade eclesial, a missão mais importante dos leigos é no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontra no dia-a-dia. Esse tema é aprofundado no Dia dos Leigos, o Domingo de Cristo Rei, último domingo do ano litúrgico.

Na família, no trabalho, na escola, no mundo da política e da cultura, nos movimentos populares e sindicais, nos meios de comunicação, é chamado a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo. Nessas realidades, é chamado a desempenhar sua missão, necessária e insubstituível.

Por isso o papel do leigo, além da participação na comunidade eclesial, sua grande missão é ser fermento nesses campos de vida e de atuação, ser “sal da terra e luz do mundo”. Nesses ambientes deve se empenhar para a construção efetiva do Reino de Deus, “um reino eterno e universal, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”, como rezamos no prefácio da missa da festa de Cristo Rei.

O Reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em prol dos irmãos, onde há o respeito pelos outros, onde se luta pela justiça e pela libertação. E tudo isso acontece de modo especial através da atuação dos cristãos leigos.  Quando os leigos assumem de fato sua missão específica, podemos sonhar com uma nova ordem social. O Concílio Ecumênico Vaticano II e os ensinamentos magisteriais do Santo Padre o Papa insistem muito na necessidade de os leigos participarem ativamente na construção de uma nova sociedade, aperfeiçoando os bens criados e sanando os males. Felizmente, muitos têm entendido essa missão e se empenhado para bem cumpri-la.

Vemos com muita esperança o crescimento hoje da tomada de consciência por parte de muitos leigos que compreendem essa índole específica de sua missão. Acreditam nela e procuram exercê-la de modo digno e eficiente para que se faça cada vez mais concreta a promessa de Jesus: “O Reino de Deus está presente no meio de vós.”

Através dos leigos, a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais, impregnando-os da mensagem de Jesus Cristo, semeando os valores evangélicos da solidariedade e da justiça, empenhando-se decisivamente na construção da sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus.

Na Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina voltam a insistir sobre a urgência da plena participação dos Leigos e Leigas na vida e na ação da Igreja: “O projeto pastoral da Diocese, caminho de pastoral orgânica, deve ser uma resposta consciente e eficaz para atender as exigências do mundo de hoje com indicações programáticas concretas, objetivos e métodos de trabalho, de formação e valorização dos agentes e da procura dos meios necessários que permitam que o anúncio de Cristo chegue às pessoas, modele as comunidades e incida profundamente na sociedade e na cultura mediante o testemunho dos valores evangélicos. Os leigos devem participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução” (DAp. 371).

Na perspectiva do Documento de Aparecida o papel dos Leigos e Leigas na vida e missão da Igreja é reconhecido como fundamental. É necessário que levemos a sério estas palavras dos bispos para que aconteça também neste campo a conversão pastoral necessária para sermos uma Igreja verdadeiro Povo de Deus, capaz de falar ao coração dos homens de das mulheres de hoje. Que todos os Leigos e Leigas Cristãos possam reinar com Cristo e como Cristo, descobrindo e realizando plenamente a sua vocação. Obrigado pelo seu sim generoso e pela sua dedicação no anúncio do Reino de Deus e no Testemunho do Evangelho. Que o Senhor Ressuscitado continue iluminando o seu caminho de discipulado e de missionários!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ