Novo Ano Litúrgico

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Ano Litúrgico

No próximo final de semana, a noite do sábado 30 de novembro e o domingo dia 1° de dezembro iniciaremos o tempo do Advento e com ele mais um ano litúrgico na Igreja. Diferentemente do calendário civil a Igreja inicia sempre um novo ano a partir do 1° Domingo do Advento. Esses anos são divididos em 3 ciclos: A, B e C, que de tal maneira, quando chegamos no ano C no ano seguinte volta-se para o ano A.

É dividido dessa maneira porque em cada um desses anos a leitura do Evangelho é, especialmente, de um Evangelista “Sinótico”, Mateus, Marcos ou Lucas. No ano A que vamos iniciar agora é Mateus, no Ano B é Marcos e no Ano C que terminamos na semana da festa de Cristo Rei é Lucas. É feito dessa maneira para que a cada ano um evangelista “sinótico” seja contemplado e possamos ver a Teologia que cada um apresenta.

João considerado como o “Quarto” evangelho aparece durante esses três anos litúrgicos em Festas e Solenidades de Nosso Senhor, e, em especial no tempo pascal. E com uma teologia em uma linguagem um pouco diferente.

Em todo ano litúrgico o seu centro é Cristo, a celebração da Páscoa está no centro do Ano litúrgico, a partir dele advém todas as outras celebrações. O próprio Natal já nos aponta para esse mistério tão grande.

É característico de todo evangelista apresentar para nós o Jesus histórico, ou seja, o Jesus de Nazaré enquanto esteve no meio de nós, convivendo com os discípulos, fazendo as curas, visitando as pessoas, anunciando o Reino de Deus. O Centro de cada Evangelho é a Paixão e Morte de Jesus na Cruz, a partir desse acontecimento advém todos os outros. É apenas mais característico para Lucas e João relatarem episódios após a ressurreição, revelando assim para nós o Jesus da Fé, ou seja, Jesus Cristo.

O caminho de todo evangelista é mostrar a subida de Jesus até Jerusalém e com Mateus que vamos acompanhar neste ano que se inicia não será diferente. Começa em Nazaré sua cidade Natal e conforme vai passando pelos povoados, anunciando o Reino de Deus, vai subindo. Em princípio o que Jesus desejava e que era a vontade do Pai, era unir os quatro cantos da terra para que todos se salvassem.

O tema central da espiritualidade de Mateus é sobre o Reino de Deus, esse reino que já veio com Jesus Cristo e aquele que esperamos vivenciar na eternidade de maneira plena. Mas aqui na terra somos chamados a viver a cada dia esse Reino de Deus, perdoando, amando, cuidando do próximo que necessita. Mateus evidencia em seu evangelho o anúncio desse reino feito por Jesus.

O sermão da Montanha que está presente em Mateus capítulo 5 e que vai até o capítulo 7, Jesus faz o discurso das bem-aventuranças, que nada mais é do que a experiência concreta de vivermos o Reino de Deus aqui na terra, almejando aquilo que vamos viver no céu.

É uma característica de Mateus apresentar Jesus fazendo discursos, sermão, de maneira geral orientando o povo para viverem da melhor maneira entre si o Reino de Deus.

 Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: “Por que lhes falas em parábolas? ” Respondeu Jesus: “Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não.  Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem.  Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam.  Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: ‘Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare’. Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque veem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram. (Cf Mt 13,10-16).

Neste trecho do evangelho de Mateus os discípulos indagam Jesus sobre o por que Ele falava ao povo em parábolas e Jesus diz que a eles foi dado compreender os mistérios do Reino e ao povo não. Por isso ele lhes falava em parábolas. Falar em parábolas é uma das características do evangelho de Mateus. Parábolas são pequenas histórias, uma maneira mais fácil do povo compreender aquilo que Jesus queria transmitir.

Portanto meus irmãos, vivenciemos bem esse ano litúrgico A, e tudo aquilo que Jesus nos diz por meio do evangelista Mateus. Que na nossa casa, escola e trabalho possamos ter a experiência viver entre nós o Reino de Deus, na expectativa de contemplar de maneira definitiva no céu esse Reino de Deus.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro