O Santo Rosário

487

No Santo Rosário, temos uma oração mariana muito recomendada pela Igreja ao longo dos séculos. Essa piedade mostra-nos um resumo das principais verdades da fé cristã; através da consideração de cada um dos mistérios, a Santíssima Virgem ensina-nos a contemplar a vida do seu Filho. Em alguns deles, Maria tem um certo destaque; em outros, fala-nos do Senhor, mas, mesmo sendo uma devoção de cunho mariano o Santo Rosário é completamente Cristológico. Maria fala-nos sempre do Senhor: da alegria do seu nascimento, da sua vida pública, da sua morte, da sua Ressurreição e da Ascensão gloriosa.

No Rosário  temos a consideração dos mistérios, a recitação do Pai-Nosso e da Ave-Maria, os louvores à Santíssima Trindade e a constante saudação à Mãe de Deus, é um contínuo ato de fé, de esperança e de amor, de adoração e reparação.

O nome rosário vem do latim e é relativo às rosas, e foi chamado assim devido à prática popular de oferecer rosas à Maria e em algumas regiões também assim coroá-la. O valor espiritual do rosário consiste na característica de ser uma oração simples e profunda. Uma oração contemplativa que educa o espírito humano à meditação dos mistérios da vida de Cristo, e sua intrínseca relação à compaixão de Maria nos momentos de alegria e dor. Uma oração catequética, pois apresenta e ensina, com um método simples, o núcleo do conteúdo da fé católica. Uma oração que respeita os ritmos da vida, uma vez que harmoniza a disposição corporal com o movimento do espírito que, por sua vez, produz frutos de paz e serenidade diante das tribulações da vida. Uma oração criativa que ajuda comparar os nossos sentimentos com os de Cristo durante a meditação de cada passo, desde o mistério da Encarnação até o mistério da Ressurreição. E, por fim, uma oração que introduz a liturgia por sua natureza comunitária, cristocêntrica e bíblica. É nesse sentido que o Papa São Paulo VI diz na sua Exortação Apostólica Marialis Cultus “O rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica” (MC 61).

O Concílio Ecumênico Vaticano II pede “a todos os filhos da Igreja que promovam generosamente o culto à Bem-aventurada Virgem, que dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo Magistério no curso dos séculos” (Lumen Gentium, 67). Sabemos bem com que insistência a Igreja sempre recomendou a oração do Santo Rosário. Concretamente, é “uma das mais excelentes e eficazes orações em comum que a família cristã é convidada a rezar” (Marialis Cultus, 54).

O Rosário em família é uma fonte de bens para todos, pois atrai a misericórdia de Deus sobre o lar. Dizia São João Paulo II: “Tanto a recitação do Ângelus como a do terço devem ser para todo o cristão e muito mais para as famílias cristãs como que um Oásis espiritual no decorrer do dia, para ganharem coragem e confiança” (Ângelus em Otranto, 05/10/1980). E, ainda, insistia São João Paulo II: “conservai zelosamente esse terno e confiado amor à Virgem que vos caracteriza. Não o deixeis esfriar nunca. Sede fiéis aos exercícios de piedade mariana tradicionais na Igreja: a oração do Ângelus, o mês de Maria, e de modo muito especial, o terço. Oxalá ressurgisse o belo costume de rezar o terço em família” (Homilia de 12/10/1980).

São João Paulo II, vai dizer na Rosarium Virginis Mariae: “O Rosário é, por natureza, uma oração orientadapara a paz, precisamente porque consiste na contemplação de Cristo, Príncipe da paz e “nossa paz” (Ef2, 14). Quem assimila o mistério de Cristo – e o Rosário visa isto mesmo – apreende o segredo da paz e dele faz um projeto de vida. Além disso, devido ao seu carácter meditativo com a serena sucessão das “Ave Marias”, exerce uma ação pacificadora sobre quem o reza, predispondo-o a receber e experimentar no mais fundo de si mesmo e a espalhar ao seu redor aquela paz verdadeira que é um dom especial do Ressuscitado (Jo 14, 27; 20, 21)” (Rosarium Virginis Mariae, 40).

Quanto os mistérios e a suas distribuições conforme cada dia, nos diz o documento Rosarium Virginis Mariae: “O Rosário pode ser recitado integralmente todos os dias, não faltando quem louvavelmente o faça. Acaba assim por encher de oração as jornadas de tantos contemplativos, ou servir de companhia a doentes e idosos que dispõem de tempo em abundância. Mas é óbvio – e isto vale com mais forte razão ao acrescentar-se o novo ciclo “os mistérios da luz”– que muitos poderão recitar apenas uma parte, segundo uma determinada ordem semanal. Esta distribuição pela semana acaba por dar às sucessivas jornadas desta uma certa “cor” espiritual, de modo análogo ao que faz a Liturgia com as várias fases do ano litúrgico. Segundo a prática corrente, a segunda e a quinta-feira são dedicadas aos “mistérios da alegria”, a terça e a sexta-feira aos “mistérios da dor”, a quarta-feira, o sábado e o domingo aos “mistérios da glória”. Onde se podem inserir os “mistérios da luz”? Atendendo a que os mistérios gloriosos são propostos em dois dias seguidos –sábado e domingo – e que o sábado é tradicionalmente um dia de intenso carácter mariano, parece recomendável deslocar para ele a segunda meditação semanal dos mistérios gozosos, nos quais está mais acentuada a presença de Maria. E assim fica livre a quinta-feira precisamente para a meditação dos mistérios da luz”. (Rosarium Virginis Mariae, 38).

Encerramos no último domingo de maio o mês do Rosário com a procissão pelo centenário bairro da Penha e a Missa Solene tendo no final a Coroação de Nossa Senhora da Penha, em seu Santuário Arquidiocesano. Louvamos e bendizemos a Deus por todas as famílias que rezam o rosário em casa. Deus seja louvado pelos que rezam o terço nas praças públicas, nos seus trabalhos, nas escolas e em todos os ambientes pedindo a proteção de Deus e da Santíssima Virgem Maria nas intenções da Santa Igreja, do Santo Padre e pela paz na cidade e no Estado do Rio de Janeiro. Após o dia 13 de maio, em todas as dioceses do nosso Regional Leste 1 (Rio de Janeiro) está sendo rezado o rosário nas ruas e praças com transmissão pela nossa rádio Catedral.

Que a Virgem Maria interceda por nós e faça que aprendamos este grande meio de devoção para chegar ao seu coração e consequentemente ao seu Amado Filho, Nosso Senhor. Que cada terço rezado, possamos colocar as intenções pela Igreja, pela paz, pelas vocações e pelas famílias. Virgem do Rosário, velai por nós! Amém!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ