Raposa cai em contradição

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Certa vez, um galo estava de sentinela, empoleirado em um alto galho de árvore, vigando o campo para ver se não havia perigo para as galinhas e os pintinhos que ciscavam o solo.

A raposa, que passava por ali, logo os viu e imaginou o maravilhoso almoço que teria se comesse um deles. Quando viu o galo de vigia, ela logo inventou uma história:

“Amigo galo, pode ficar sossegado. Não precisa cantar para avisar as galinhas e os pintinhos que estou chegando. Eu vim em paz.”

O galo, desconfiado, perguntou: “O que aconteceu? As raposas sempre foram nossas inimigas. Nossos amigos são os patos, os coelhos e os cachorros. Que é isso agora?”

A espertalhona continuou: “Caro amigo, esse tempo já passou. Todos os bichos fizeram as pazes e estão convivendo em harmonia. Não somos mais inimigos. Para provar o que digo, desça daí para que eu possa dar-lhe um abraço”.

O que a raposa queria era impedir que o galo voasse para longe. Se ele descesse até onde ela estava, seria fácil dar-lhe um bote. Mas o galo não era bobo. Desconfiado, perguntou:

“Você tem certeza que os bichos são todos amigos agora? Isso quer dizer que você não tem mais medo dos cães?” “Claro que não tenho medo deles”, confirmou a raposa. Então o galo disse: “Ainda bem. Porque daqui de cima estou avistando um bando que vem correndo para cá”.

“O quê?” Gritou a raposa, apavorada. Tremendo de medo, ela saiu correndo em disparada.

Muitas vezes, quando uma pessoa quer enganar-nos, ela acaba caindo em contradição. É importante ter consciência crítica e, através de perguntas, descobrir essas contradições.

Dn 13 narra um fato parecido, em que o juiz leva dois velhos malandros a caírem em contradição. É a bela história de Susana.

“Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”