Sagrada Família

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Durante a oitava de Natal, e neste ano, no domingo após o Natal celebra-se a festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o Dia da Família.

Para nós cristãos, a família é sagrada: nasce do sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce; e vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta nuclearmente por um esposo, uma esposa e os filhos!

A Palavra de Deus na primeira leitura do Livro do Eclesiástico (cf. Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

São Paulo, na segunda leitura, fala da vida da Família no Senhor (cf. Cl 3, 12 – 21) enumerando as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

A família – “Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem” (cf. Mc 10, 9). É uma exortação aos batizados para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Tendo a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro vivido o ano vocacional sacerdotal quero agradecer aos pais de família que incentivam os seus filhos a abraçar o ministério presbiteral. A família é o principal celeiro vocacional pelo testemunho de uma vida familiar pautada pela Santa Eucaristia, pelo sacramento da Reconciliação, pela vivência dos sacramentos e por uma vida comunitária em que pai, mãe e filhos se doam em favor de Deus, da Igreja e da santificação da sociedade pelo seu autêntico testemunho de vida. A família é a primeira educadora na fé católica. Agora é tempo de aprofundar as consequências do nosso batismo vivenciando a missão permanente: batizados – sempre missionários.

Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo. Nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.

Neste ano jubilar lauretano é com alegria que recebemos nestes dias da oitava de Natal a imagem peregrina da N. Sra. do Loreto que vem de seu Santuário italiano para ser um sinal, não apenas para os que voam pelos ares, mas também para nos reconduzir a Nazaré, cuja casa foi preservada com o transporte para a Itália. Que a família de Nazaré inspire nossas famílias.

         Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

         Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ