Vamos à casa da Mãe!

188
Vamos à casa da Mãe!

Nossa Arquidiocese, no próximo sábado, dia 31 de agosto, vive mais uma bela experiência que se tornou tradicional no último sábado de agosto: ela se coloca no coração da Mãe, Padroeira e Rainha do Brasil, em nossa romaria arquidiocesana. Será um momento importante da graça de Deus para todos nós: “As peregrinações evocam nossa caminhada pela terra em direção ao céu. São tradicionalmente tempos fortes de renovação da oração. Os santuários são para os peregrinos, em busca de suas fontes vivas, lugares excepcionais para viver ‘como Igreja’ as formas da oração cristã”. (Catecismo da Igreja Católica nº 2.691)

 Estaremos todos: bispos, padres, religiosos, seminaristas, lideranças pastorais e fiéis de nossa Arquidiocese juntos com tantos outros peregrinos do Brasil, no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida para a nossa ação de graças a Deus por tantos benefícios que Ele tem concedido à nossa Igreja Arquidiocesana.

O Papa João Paulo II, ao falar sobre as peregrinações no contexto do Jubileo do ano 2000, assim dizia: “A peregrinação simboliza a experiência do homem peregrino que, apenas saído do seio materno, empreende o caminho do tempo e do espaço da sua existência; a experiência fundamental de Israel, que está em marcha rumo à terra prometida da salvação e da liberdade plena; a experiência de Cristo, que da terra de Jerusalém sobe até ao céu, abrindo o percurso em direção do Pai; a experiência da Igreja, que procede na história rumo à Jerusalém celeste; a experiência de toda a humanidade, que se protende para a esperança e a plenitude” (A peregrinação no Grande Jubileu do ano 2000, nº 43).

Iremos, de maneira especial, neste ano vocacional sacerdotal, agradecer e pedir pelas vocações sacerdotais presentes, atuantes e santas para a Igreja formadas em nossa arquidiocese. Nossa romaria tem, neste ano, como tema: Ano Vocacional Sacerdotal: Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes: “Eis-me aqui!” (Is 6,8). Sendo Maria, a primeira vocacionada do Pai, que Ela continue a preparar os corações de tantos cristãos para responder assim com ela o “faça-se”.  Sendo os sacerdotes os filhos prediletos de Maria, peçamos em especial que ela continua guardado esses seus filhos.

Todos os que peregrinam ao Santuário Nacional da Padroeira do Brasil experimentam, aos poucos, a graça de sentirem-se acolhidos por Maria Santíssima como filhos. Por meio de seu coração materno, vivenciam o quanto Deus os ama e colocam-se a seu serviço, confiantes na sua Providência Divina. A peregrinação anual de nossa Arquidiocese é um momento de transformação interior.

A programação da nossa Romaria começará às 6h30min, com a concentração na Tribuna do Papa Bento XVI. Às 7h iniciará a recitação do rosário. Às 8h iremos nos deslocar para o interior da Basílica para participar da missa solene às 9hs que será transmitida pela mídia católica. Após a missa continuaremos a recitação do rosário pelas ruas da cidade até chegar aos pés do morro do cruzeiro, quando faremos devotamente a via-sacra, após a qual encerramos os eventos arquidiocesanos. A partir daí as paróquias têm suas próprias programações e visitas.

Nossa arquidiocese tem uma grande ligação com a Senhora de Aparecida. A primeira romaria para o Santuário Nacional aconteceu em 1902, motivada pelo Cardeal Arcoverde, em preparação ao jubileu de ouro da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, que aconteceria dois anos depois. Mas foi a partir de 1931 que a peregrinação ganhou maior impulso, após a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida ao Rio de Janeiro, quando foi proclamada Padroeira do Brasil, no dia 31 de maio desse ano.

Em 1929 surgiu o desejo de solicitar ao Santo Padre o Papa Pio XI, de declarar Nossa Senhora da Conceição Aparecida, então Rainha, agora Padroeira do Brasil. O pedido fora enviado pelo Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Cardeal Dom Sebastião Leme, e foi acolhido pelo Romano Pontífice em 16 de julho de 1930, com a mensagem contendo os seguintes dizeres: “Constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria, concebida sem mancha, conhecida sob o título de ‘Aparecida’ Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus.”

A proclamação solene de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do país, no dia 31 de maio de 1931. À capital do país acorreram cerca de um milhão de pessoas. Estiveram presentes no ato de Proclamação Patronal o então Presidente da República o Sr. Getúlio Dornelles Vargas, seus ministros e autoridades civis e militares, que aos pés da Virgem, prestaram a reverência do Estado.

A imagem histórica esteve presente no ato de Proclamação Patronal. Ele veio em viagem de trem de Aparecida ao Rio de Janeiro, em vagão devidamente preparado e decorado, acompanhada de distinto grupo eclesiástico. Foi esta a primeira vez que a imagem saiu da cidade de Aparecida/SP. A Proclamação aconteceu na Praça da Esplanada do Castelo, na Baía de Guanabara; após missa campal celebrada em frente à igreja de São Francisco de Paula. Neste dia solene e festivo, em seu discurso, o Cardeal Leme, ajoelhado aos pés da imagem, asseverou: 

“Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente! (…) Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama! Salve, Rainha!”

O Papa Francisco, em Aparecida, nos ensinou que: “É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E por isso a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude todos nós, os Pastores do Povo de Deus, os pais e os educadores a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar a atenção para três simples posturas: conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”.

 Eu, igualmente, também gostaria que as três posturas propostas pelo nosso amado Papa Francisco fossem assumidas pela Igreja do Rio de Janeiro, ou seja, que conservemos sempre a esperança, que nos deixemos surpreender por Deus e que vivamos plenamente na alegria. Assim, como missionários permanentes poderemos contagiar com a Boa e alegre Notícia da Salvação a nossa querida metrópole.

Cremos que somos amados por Deus, e, por isso, o amor nos impulsiona a viver de acordo com ensinamentos de Cristo.

Nossa Senhora Aparecida intercede a Jesus as graças que necessitamos para o seguimento do Evangelho e o anúncio da salvação. Como o Pai lhe confiou a educação humana de seu Filho, assim também acreditamos que a Virgem Aparecida nos ajuda a formar nossa vida à sua semelhança.

O Papa Francisco tem insistido muito na evangelização, proclamando até o mês de outubro deste ano como mês missionário extraordinário com o tema: BATIZADOS E ENVIADOS. A Igreja de Cristo em missão no mundo. Maria, a primeira discípula missionária, que vai às pressas visitar sua prima Isabel sendo já portadora da Boa-Nova em seu ventre, ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser.

As palavras comovem e os exemplos arrastam, assim, a transformação do nosso interior faz com que, por meio de nós, muitos encontrem o caminho de volta à casa do Pai. Nosso apostolado torna-se uma expressão de amor, por isso, generoso, humilde e acompanhado com as bênçãos da Virgem Maria.

Nossa Senhora Aparecida nos aponta para Jesus Cristo ressuscitado, como nos ensinou ainda o Papa Francisco em Aparecida: “Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida).

Vamos bater à porta da casa de Maria. Ela abrir-nos-á e nos fará entrar e nos apontará o seu Filho. Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nós nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria.

Que nossa 87ª Romaria continua, desde a primeira há 117 anos, junto da Virgem Maria nos instrua a pedir que Maria Santíssima nos ensine a transformar em fatos concretos as maravilhas que Deus continua a realizar em nossa Arquidiocese, de maneira especial pelas vocações.

 Que todos nós possamos ser, realmente, homens e mulheres, jovens, adolescentes, crianças e, acima de tudo, cristãos capazes de conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria. E que, saibamos, principalmente, rezar pelas vocações sacerdotais, rezar pelos nossos sacerdotes e rezar por nossos jovens. Que a Virgem Aparecida nos mantenha neste bom propósito! Boa e santa romaria para todos! Espero encontrar a todos em Aparecida.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro